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REGULAMENTAÇÃO DOS APPS

71% dos brasileiros rejeitam taxa mínima em delivery, diz Quaest

Pesquisa revela que maioria da população associa proposta em debate na Câmara a aumento de preços, piora da economia e maior intervenção do governo no setor.

Congresso em Foco

18/3/2026 | Atualizado às 13:19

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A proposta de criação de uma taxa mínima para pedidos de entrega por aplicativo enfrenta forte resistência da opinião pública, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (17). O levantamento aponta que 71% dos brasileiros rejeitaram a medida, enquanto 29% se dizem favoráveis.

De acordo com a pesquisa, feita em parceria com a Associação Nacional dos Restaurantes (ANR), a maioria das pessoas associa a iniciativa a efeitos econômicos negativos, com impacto direto no bolso do consumidor.

Veja os resultados da pesquisa.

A resistência à proposta aparece de forma mais intensa entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, grupo em que 97% se declaram contrários à medida. Entre os autodeclarados independentes, a rejeição chega a 83%. No eleitorado identificado com o presidente Lula, o quadro se inverte: 61% declaram apoio à criação da taxa mínima.

Regulamentação de atividades de aplicativos deve ser votada ainda neste semestre na Câmara.

Regulamentação de atividades de aplicativos deve ser votada ainda neste semestre na Câmara.Danilo Verpa/Folhapress

Maioria prevê alta no preço dos pedidos

A percepção predominante entre os entrevistados é de que a proposta elevaria o custo das entregas. Segundo a pesquisa, 78% avaliam que a medida deve aumentar o preço dos pedidos feitos por aplicativos. Outros 17% acreditam que os valores ficariam iguais, enquanto apenas 5% apostam na redução.

No mesmo sentido, 74% consideram que a proposta teria efeito mais negativo do que positivo para a economia brasileira. Já 26% enxergam impacto favorável.

Preferência por menor regulação

A Quaest também mediu a percepção dos brasileiros sobre o papel do governo na regulação da atividade econômica. Para 60% dos entrevistados, o governo federal deveria se preocupar menos em criar novas regras para o funcionamento das empresas. Outros 40% defendem maior intervenção estatal.

O resultado indica uma inclinação majoritária do eleitorado por um ambiente de menor regulação, em linha com a rejeição à proposta em discussão.

Em busca de consenso na Câmara

O tema ganhou força com a tramitação do projeto de lei complementar (PLP) 152/2025, relatado pelo deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE). O relatório de Coutinho fixa uma taxa mínima de R$ 8,50 por entrega, enquanto o governo defende a elevação desse valor para R$ 10. O texto está em discussão em uma comissão especial. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pretende pautar a votação no Plenário nos próximos meses.

"Nós queremos criar um ambiente mínimo de garantias, sim, de um avanço no que diz respeito à proteção desses trabalhadores, que para nós é muito importante. Mas temos também o cuidado de que isso não venha a representar um aumento no custo para os consumidores que usam dessas plataformas", declarou Motta na última segunda-feira (16), ao informar que tem conversado com o relator sobre a necessidade de se ajustar a proposta.

Proposta do governo

A preocupação a respeito do aumento de custos de contratação de serviços via aplicativo veio a partir da fala do ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. Na última semana, ele informou que o governo defenderia uma taxa mínima de R$ 10 para pedidos de delivery, bem como um acréscimo de R$ 2,50 por quilômetro rodado pelos motoboys.

A iniciativa do Executivo foi rapidamente rechaçada por parlamentares de oposição, que alertaram sobre o risco de aumento do custo do serviço. A própria ideia de taxa fixa é vista como um ponto desafiador pelo relator diante do possível impacto ao ambiente de negócios em pequenos municípios.

Motta defendeu a continuidade do esforço por uma construção consensual, ouvindo tanto as demandas do governo quanto das plataformas e de entregadores. "A ideia é construir uma legislação equilibrada que traga, sim, garantias para esses trabalhadores sem onerar o custo para os consumidores brasileiros que todos os dias estão reivindicando o serviço dessas plataformas".

Associação critica tarifa fixa nacional

Em entrevista ao Congresso em Foco, o vice-presidente de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), o ex-deputado Marcelo Ramos, afirmou que a imposição de uma tarifa mínima pode produzir o efeito oposto ao pretendido.

Segundo ele, a elevação do preço final para o consumidor tende a reduzir o volume de pedidos e, por consequência, diminuir as oportunidades de trabalho e a renda mensal de motoristas e entregadores.

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Para Ramos, a remuneração variável faz parte do "DNA do setor", por acompanhar fatores como demanda, horário, localização e disponibilidade. Na avaliação da entidade, a fixação de um preço mínimo nacional desconsidera as diferenças entre os mercados locais e compromete a lógica de funcionamento das plataformas.

A Amobitec sustenta que o problema não está apenas no valor proposto, mas no próprio conceito de estabelecer um piso único para um mercado heterogêneo. Como alternativa, a entidade defende um modelo de remuneração mínima por hora trabalhada, que, segundo Marcelo Ramos, se ajustaria melhor à realidade de cada cidade e daria maior previsibilidade aos trabalhadores sem comprometer a flexibilidade do setor.

Metodologia

A pesquisa Quaest foi realizada entre os dias 13 e 16 de março de 2026, com 1.031 entrevistas presenciais com brasileiros de 16 anos ou mais em todas as regiões do país.

A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

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