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Fiscalização de gastos

Câmara aprova urgência a projeto que veta sigilo em gastos com viagens de autoridades

Texto de deputados do partido Novo prevê crime de responsabilidade para autoridade que ocultar despesas de forma indevida ou imoral.

Congresso em Foco

3/3/2026 10:55

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A Câmara dos Deputados aprovou regime de urgência para o projeto de lei 5.764/2025, que altera a Lei de Acesso à Informação (LAI) e a Lei do Impeachment, para vedar a classificação como sigilosa de despesas públicas individualizadas, como hospedagem, viagens e diárias, salvo em caso de risco concreto à segurança. Com a urgência, o texto poderá ser votado diretamente em Plenário, sem passar pelas comissões temáticas.

De autoria dos deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS), Gilson Marques (Novo-SC) e Adriana Ventura (Novo-SP), a proposta tem como objetivo "assegurar a transparência ativa de gastos públicos, reforçar o papel fiscalizatório do Congresso Nacional e coibir a classificação indevida ou imoral de despesas sob alegação de sigilo".

Proposta visa impedir que gastos com alimentação e hospedagem de agentes públicos fiquem sob sigilo.

Proposta visa impedir que gastos com alimentação e hospedagem de agentes públicos fiquem sob sigilo.Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O projeto altera dispositivos da Lei nº 12.527/2011 para bloquear a classificação como sigilosa de despesas públicas individualizadas custeadas com recursos públicos, salvo em situações de risco concreto à atual segurança da sociedade ou do Estado, devidamente comprovado por "teste de dano". A proposta detalha que essa avaliação deverá demonstrar, de forma fundamentada, o bem jurídico a ser protegido, a probabilidade e a gravidade de dano e o nexo casual entre a divulgação e o risco identificado.

Além disso, o texto também explicita que gastos com recursos públicos, incluindo diárias passagens, hospedagem, alimentação, transporte e despesas de viagens nacionais e internacionais de agentes públicos, não podem ser considerados informações pessoais para fins de restrição de acesso.

Fiscalização pelo Congresso

Outro ponto central da proposta é o fortalecimento do poder de fiscalização do Congresso Nacional. O projeto prevê que informações classificadas em qualquer grau de sigilo deverão ser compartilhadas com o Legislativo, mediante requerimento de comissões ou mesas diretoras, observadas as cautelas compatíveis com o grau de sigilo.

A iniciativa ainda cria sanções específicas para autoridades que classifiquem indevidamente informações com o objetivo de ocultar despesas ou dificultar o controle social. Entre as consequências previstas estão responsabilização por improbidade administrativa e possibilidade de enquadramento como crime de responsabilidade, mediante alteração da Lei nº 1.079/1950.

Na justificativa, os autores afirmaram que "a publicidade é a regra, e o sigilo, a exceção." O texto sustentou que a proposta busca corrigir distorções na aplicação da LAI e reforçar a moralidade administrativa, sem comprometer a proteção legítima de dados sensíveis ou situações que envolvam segurança do Estado.

Leia a íntegra da proposta.

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Marcel Van Hattem projeto de lei gastos públicos lai câmara dos deputados Adriana Ventura Gilson Marques

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