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OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO
Congresso em Foco
4/3/2026 | Atualizado às 10:15
O pastor e empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso nesta quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A investigação apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos e outras irregularidades na gestão da instituição.
Zettel se apresentou na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, onde cumpriu o mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. Segundo a PF, a nova fase da operação investiga a possível prática de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos no âmbito da organização criminosa. Vorcaro também foi preso nesta manhã.
Quem é Fabiano Zettel
Casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, Fabiano Zettel é pastor evangélico, empresário e influente doador político. Ele ganhou projeção no meio empresarial com investimentos em redes de alimentação e academias de alto padrão, além de atuar na liderança da Igreja Batista da Lagoinha, sediada em Belo Horizonte.
Zettel também se destacou no financiamento de campanhas eleitorais. Ele foi o maior doador individual da campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2022, com cerca de R$ 3 milhões, e também contribuiu com R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo.
Papel no esquema investigado
De acordo com a decisão do STF e os relatórios da Polícia Federal, Zettel teria atuado como operador financeiro do grupo liderado por Vorcaro.
Segundo os investigadores, ele integrava a estrutura operacional da organização criminosa, participando da intermediação e execução de pagamentos ligados às atividades do grupo.
Mensagens e documentos analisados pela PF indicam que Zettel:
Para a Polícia Federal, essas atividades indicam que ele auxiliava na estruturação e circulação de recursos utilizados nas práticas investigadas.
Contrato suspeito com servidor do Banco Central
Um dos episódios citados na decisão envolve um contrato considerado fictício com um servidor do Banco Central.
Segundo a investigação, Zettel participou da elaboração e encaminhamento de uma proposta de contratação por meio da empresa Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal Ltda.
O documento previa a contratação do servidor para participar de um suposto projeto sobre inserção de jovens no mercado financeiro.
Para a PF, o contrato teria sido utilizado para dar aparência legal a pagamentos feitos ao servidor, o que reforça a suspeita de corrupção e pagamento de vantagens indevidas.
Financiamento de grupo de vigilância e intimidação
A investigação também aponta que Zettel participava da operacionalização de pagamentos destinados a um grupo conhecido como "A Turma".
Segundo a decisão judicial, essa estrutura era responsável por:
Entre os alvos dessas ações estariam concorrentes empresariais, ex-funcionários e jornalistas que, segundo os investigadores, poderiam prejudicar os interesses do grupo.
Operação investiga esquema bilionário
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo a emissão e negociação de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.
Segundo a Polícia Federal, o esquema pode envolver valores bilionários e teria sido facilitado por falhas de controle interno nas instituições envolvidas, permitindo práticas como:
Nesta fase da operação, além das prisões, o STF autorizou 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais e determinou bloqueio e sequestro de bens de até R$ 22 bilhões, para impedir a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado.
A defesa de Fabiano Zettel afirmou que não teve acesso aos autos da investigação, mas declarou que o empresário está à disposição das autoridades.
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