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SUSPEITAS DE FRAUDE
Congresso em Foco
4/3/2026 | Atualizado às 8:35
O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou nesta quarta-feira (4) o afastamento do prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD), conhecido como Dr. Furlan, e do vice-prefeito Mário Neto, no âmbito da segunda fase da Operação Paroxismo, da Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro na construção do Hospital Geral Municipal de Macapá.
Além do prefeito e do vice, também foram afastados por 60 dias a secretária municipal de Saúde, Érica Aymoré, e o presidente da comissão permanente de licitação da prefeitura. A decisão foi tomada pelo STF porque o contrato investigado envolve recursos provenientes de emendas parlamentares.
A operação cumpre 13 mandados de busca e apreensão em Macapá (AP), Belém (PA) e Natal (RN). Entre os alvos das buscas estão endereços ligados ao prefeito, incluindo sua clínica. Em 2024 ele foi reeleito prefeito com 85% dos votos.
Suspeita de direcionamento de licitação
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que agentes públicos e empresários tenham atuado para direcionar o processo licitatório, garantindo vantagens indevidas em contratos milionários relacionados à obra do hospital.
Os investigadores também suspeitam que parte dos recursos destinados à construção tenha sido desviada e posteriormente lavada por meio de movimentações financeiras irregulares.
O Hospital Geral Municipal é uma das principais obras de infraestrutura da saúde da capital amapaense, com orçamento estimado em cerca de R$ 70 milhões. A nova fase da operação busca aprofundar as investigações sobre o suposto esquema criminoso.
Operação ocorre após filiação ao PSD
A ação da PF ocorre um dia após Dr. Furlan anunciar sua filiação ao PSD. O ato ocorreu na terça-feira (3), na sede nacional do partido, em Brasília, com a presença do presidente da sigla, Gilberto Kassab, e do senador Lucas Barreto (PSD-AP). Até então, o prefeito era filiado ao MDB.
Cenário político no Amapá
Dr. Furlan aparece como um dos principais nomes na disputa pelo governo do Amapá em 2026. Levantamento recente do Real Time Big Data mostra o prefeito liderando as intenções de voto com 66%, muito à frente do atual governador Clécio Luís (União Brasil), que aparece com 29%. Clécio é aliado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que articula a reeleição do governador.
Afastado por decisão do STF, Furlan é adversário político do grupo de Alcolumbre. Em 2020, ele foi eleito prefeito ao derrotar no segundo turno Josiel Alcolumbre, irmão do senador. Já em 2024, foi reeleito em primeiro turno com 85,05% dos votos, a maior votação proporcional registrada para um prefeito no país naquele pleito. Antes, havia sido deputado estadual por dois mandatos.
Aos 52 anos, Antônio Furlan nasceu na Costa Rica, onde seu pai, um engenheiro agrônomo paulista, realizava estudos de pós-graduação. Ainda bebê, mudou-se para Belém (PA), cidade onde cresceu.
Formou-se em medicina pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e fez residência em cirurgia cardiovascular na Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência.
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