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DIREITA DIVIDIDA
Congresso em Foco
20/2/2026 | Atualizado às 11:14
O ex-presidente Jair Bolsonaro decidiu intervir diretamente na disputa pelo Senado em Santa Catarina e declarou apoio à candidatura da deputada Caroline de Toni (PL-SC), defendendo que ela concorra em 2026 na mesma chapa de seu filho, Carlos Bolsonaro. O gesto implode um acordo nacional firmado entre PL e PP e pode ter efeito imediato sobre a eleição ao governo estadual: diante do rompimento, o Progressistas e o União Brasil, que formam a federação União Progressista, devem desembarcar da chapa encabeçada pelo governador Jorginho Mello (PL) e apoiar outro candidato ao governo.
O apoio de Bolsonaro a Caroline de Toni foi confirmado por líderes da oposição que o visitaram na prisão recentemente, entre eles o senador Carlos Portinho (PL-RJ) e o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB). Depois de ser informada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de que não teria espaço na chapa majoritária de Jorginho Mello em Santa Catarina, Caroline de Toni avisou a aliados que disputaria a vaga no Senado por outro partido.
O acordo que desandou
A crise tem origem em um entendimento fechado entre Valdemar e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI).
Pelo arranjo:
Na prática, as duas vagas estariam reservadas a Carlos e Amin, excluindo Caroline.
Governo também entra na equação
O rompimento do acordo ao Senado tem reflexos diretos na disputa pelo governo de Santa Catarina.
Jorginho Mello vinha emitindo sinais trocados: ora sugeria apoio à reeleição de Esperidião Amin como parte da composição com o PP e o União Brasil, ora sinalizava com uma chapa "pura" do PL ao Senado, com Caroline e Carlos.
Essa ambiguidade ampliou a tensão com a direção nacional do partido e gerou desconfiança entre aliados. Caso o PL avance com uma chapa exclusivamente bolsonarista, a federação União Progressistas pode rever sua posição e apoiar o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), que se apresenta como alternativa competitiva no campo da direita. Rodrigues também é aliado de Bolsonaro. Como federação, União e PP atuarão como se fossem uma única legenda pelos próximos quatro anos.
Tentativa de contenção fracassa
Para evitar o rompimento, Valdemar ofereceu a Caroline a vaga de vice-governadora na chapa à reeleição de Jorginho Mello ou a promessa de liderança do PL na Câmara a partir de 2027. A deputada recusou ambas.
Segundo aliados, ela avaliou que aceitar a vice significaria abrir mão de um projeto próprio e legitimar uma decisão tomada sem diálogo com as bases catarinenses. Caroline afirmou ter recebido convites de Avante, Podemos, PRD, Novo, MDB e PSD.
Bolsonaro altera o equilíbrio interno
Ao apoiar Caroline, Bolsonaro tensiona o acordo que viabiliza a candidatura de seu filho. O gesto enfraquece a posição de Valdemar Costa Neto, desafia o entendimento formal com o PP e fortalece o núcleo mais ideológico do bolsonarismo no Estado onde o ex-presidente venceu com folga nas eleições presidenciais de 2018 e 2022.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também declarou apoio à deputada, ampliando o sinal de desconforto da família com a condução da cúpula partidária.
A crise é também desdobramento direto da transferência do título eleitoral de Carlos Bolsonaro. Ex-vereador no Rio e estrategista político do pai, ele passou a integrar formalmente o colégio eleitoral catarinense. Sua entrada deslocou o centro de gravidade da direita local, tradicionalmente estruturada em lideranças regionais com autonomia consolidada. Em 2026, cada Estado elegerá dois senadores, o que amplia as possibilidades de composição, mas também o risco de fragmentação.
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