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VAZAMENTO DE DADOS

Entidades criticam ação da PF contra auditores da Receita

Operação que apura vazamento de dados de ministros do STF levou ao afastamento de quatro servidores. Unafisco e Sindifisco defendem ampla defesa e questionam medidas cautelares adotadas.

Congresso em Foco

18/2/2026 | Atualizado às 16:53

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A operação da Polícia Federal que atingiu quatro servidores ligados à Receita Federal, suspeitos de acessar e vazar dados fiscais de ministros do STF, provocou reação imediata das entidades representativas da categoria. A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco Nacional) e o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional) manifestaram preocupação com as medidas cautelares impostas e defenderam a preservação do direito à ampla defesa. O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) também se posicionou, defendendo seus mecanismos de segurança.

Sede da Superintendência da Receita Federal em Brasília.

Sede da Superintendência da Receita Federal em Brasília.Pillar Pedreira/Agência Senado

Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do Inquérito das Fake News, a PF cumpriu na terça-feira (17) quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo. São investigados Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ricardo Mansano de Moraes e Ruth Machado dos Santos.

Além das buscas, Moraes determinou o afastamento cautelar dos servidores, a quebra dos sigilos telemático e fiscal, a proibição de acesso aos prédios da Receita Federal e do Serpro, o recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana com uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de sair da comarca e do país, com cancelamento de passaportes.

Segundo o STF, foram identificados "diversos e múltiplos acessos ilícitos" aos sistemas da Receita, seguidos de vazamento de informações sigilosas. A investigação também apura possíveis acessos a partir de sistemas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Unafisco: "medidas cautelares gravosas"

Em nota, a Unafisco Nacional afirmou ver com preocupação a adoção de "medidas cautelares gravosas contra auditor-fiscal em contexto ainda classificado como análise preliminar pela própria Receita Federal".

A entidade declarou defender a apuração rigorosa de eventuais irregularidades, mas com respeito ao devido processo legal, à presunção de inocência e à proporcionalidade. "A aplicação de sanções cautelares extremas exige fundamentação robusta e lastro probatório consistente", afirmou.

A associação relembrou episódio de 2019, no âmbito do mesmo inquérito, quando dois auditores-fiscais foram afastados sob acusação de vazamento de dados fiscais de parentes de ministros do STF e posteriormente reintegrados. Para a entidade, os auditores não podem ser "transformados em bodes expiatórios em meio a crises institucionais ou disputas que não lhes dizem respeito".

Ainda segundo a Unafisco, a "instrumentalização de servidores públicos para deslocar o foco do debate público compromete a credibilidade das instituições e enfraquece o Estado de Direito".

Sindifisco: acesso não é, por si, quebra de sigilo

O Sindifisco Nacional também afirmou acompanhar "com preocupação" as alegações de quebra ilegal de sigilo fiscal. Em nota, o sindicato destacou que o dever de proteção das informações tributárias é "pilar essencial da confiança na administração tributária".

A entidade ressaltou, contudo, que o acesso motivado a dados de contribuintes faz parte da rotina de trabalho dos auditores-fiscais e não configura, por si só, quebra de sigilo. "Já a divulgação de tais dados é crime, sendo um desvio incomum que deve ser punido", afirmou.

O sindicato reforçou que todos os envolvidos devem ter garantido o direito ao contraditório e à ampla defesa e manifestou expectativa de que os fatos sejam esclarecidos com celeridade.

Serpro nega acesso a bases fiscais

O Serpro, responsável por sistemas utilizados por órgãos federais, afirmou que todos os seus ambientes tecnológicos são integralmente rastreáveis, permitindo a identificação e auditoria de eventuais irregularidades.

A estatal declarou que seus empregados "não possuem acesso ao conteúdo das bases de dados dos órgãos clientes" e que sua atuação se limita à provisão e gestão da infraestrutura tecnológica. Segundo a empresa, não há permissão institucional para consulta a informações fiscais ou pessoais armazenadas nas bases sob responsabilidade dos órgãos atendidos.

O Serpro informou ainda que permanece à disposição das autoridades e colabora com as investigações.

Em nota, a instituição disse adotar mecanismos que asseguram a integridade e confidencialidade das operações. Quanto ao funcionário acusado de acesso não autorizado a dados fiscais, afirmou que ele está cedido desde sua admissão, em 1981 e, por isso, suas ações são de responsabilidade do órgão no qual atua.

Leia a íntegra:

"Em relação às investigações que apontam possível acesso não autorizado a dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e parentes, a empresa pública de tecnologia esclarece que todos os sistemas desenvolvidos e mantidos pela estatal são integralmente rastreáveis, permitindo a identificação, o monitoramento e a auditoria de eventuais irregularidades.
O Serpro reafirma que sua atuação é pautada pelo compromisso permanente com a segurança da informação, a privacidade, a proteção de dados e o estrito cumprimento da legislação vigente. A empresa adota controles técnicos e mecanismos de governança que asseguram integridade, confidencialidade e rastreabilidade das operações realizadas em seus ambientes tecnológicos.
A estatal ressalta que seus empregados e empregadas não possuem acesso ao conteúdo das bases de dados dos órgãos clientes. A atuação do Serpro limita-se à provisão e à gestão da infraestrutura tecnológica e dos sistemas, não havendo permissão institucional para consulta a informações fiscais ou pessoais armazenadas nas bases sob responsabilidade dos órgãos atendidos.
A empresa ainda acrescenta que não é responsável pela defesa do empregado acusado de acesso não autorizado a dados fiscais. Por ser cedido a outro órgão, a situação não se refere ao exercício regular de atribuições funcionais ou estatutárias no âmbito do Serpro.
O empregado foi admitido em 22 de abril de 1981 e, desde então, encontra-se cedido. Durante todo o período de cessão, a gestão funcional, a supervisão das atividades desempenhadas e o respectivo ônus financeiro competem exclusivamente ao órgão cessionário.
O Serpro reforça que atuará nos estritos limites em que for formalmente provocado pelas autoridades competentes, colaborando com as informações necessárias, em observância à legislação vigente e aos princípios que regem a administração pública."

Auditoria foi solicitada pelo STF

As apurações tiveram início após o STF solicitar à Receita Federal auditoria interna para identificar eventuais acessos indevidos aos dados de ministros e familiares nos últimos três anos. O procedimento foi incorporado a investigação já aberta pela Corregedoria da Receita.

Em nota, o órgão afirmou que "não tolera desvios, especialmente relacionados ao sigilo fiscal, pilar básico do sistema tributário", e destacou que seus sistemas são "totalmente rastreáveis". Desde 2023, segundo a Receita, foram ampliados os controles de acesso, com restrição de perfis e aumento de alertas. No período, sete processos disciplinares foram concluídos, com três demissões.

O caso tramita sob sigilo no Supremo e integra o Inquérito das Fake News, aberto em 2019 e ainda em andamento.

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Receita Federal Polícia Federal sindifisco auditores fiscais Unafisco Sindical inquérito das fake news PF Alexandre de Moraes STF vazamento de dados sigilo fiscal

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