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Lula é favorito, mas eleitores estão contrariados

Pesquisas mostram favoritismo do presidente, porém com rejeição elevada e maioria do eleitorado dizendo que o país segue na direção errada.

Lydia Medeiros

Lydia Medeiros

24/2/2026 11:00

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Lula entra na campanha pelo quarto mandato com o desafio de convencer o eleitor de que tem algo novo a oferecer, mesmo depois de quase quatro décadas. O presidente lidera a disputa em todas as pesquisas, nos diversos cenários sugeridos. No entanto, 57% dos eleitores afirmam que ele não merece mais quatro anos no Planalto, segundo a sondagem da Genial/Quaest deste mês. A aparente contradição dos dados indica que Lula sofre um claro processo de "fadiga de material", confirmado pelo alto e persistente índice de rejeição, que no último ano, variou entre 49% e 54% — o atual patamar, segundo o mesmo instituto.

Eleições polarizadas se dão em torno de continuidade ou mudança. Ou de rejeições. Apesar da liderança, Lula começa a campanha com índice de reprovação maior do que o de aprovação — 49% a 45%, de acordo com a Quaest. É um sinal de desejo de mudança, ainda que a diferença seja pequena. O instituto Ideia Big Data também captou esse sentimento ao verificar que 55% dos eleitores gostariam que o país superasse a polarização Lula-Bolsonaro.

O presidente começa a campanha com 60% dos eleitores achando que o país está na direção errada. Como tenta a reeleição, culpar o antecessor pelos problemas parece não surtir efeito — a Ideia/Big Data mostrou em janeiro que 53% dos eleitores não compram mais a ideia da "herança maldita".

Mesmo à frente nos cenários, presidente inicia campanha com reprovação superior à aprovação e fadiga política evidente.

Mesmo à frente nos cenários, presidente inicia campanha com reprovação superior à aprovação e fadiga política evidente.Ricardo Stuckert/PR

O principal adversário do presidente, Flávio Bolsonaro, não larga em condições melhores. Tem rejeição de 49%, calcula a Quaest, e a mera presença de seu sobrenome na urna facilita a vitória petista. Contra um Bolsonaro, Lula poderia vencer no segundo turno com um placar de 55% a 35%. Já a disputa com um outro adversário seria mais apertada: 49% a 40%.

Nesse quadro, chama atenção a análise feita pelo ex-senador Romero Jucá em entrevista ao Canal Meio. Sem mandato desde 2019, Jucá, líder dos governos Fernando Henrique, Lula, Dilma e Temer, acha que outubro vai repetir "o império da rejeição" de 2022. Considera que, assim como Jair Bolsonaro fez naquela disputa, Lula também "está pedindo para perder a eleição todo dia". "São sucessões de erros; é com se a gente estivesse vivendo um campeonato para ver quem erra mais", afirma, citando o erro mais recente, que chamou de "lambança" — o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói que fez uma ode ao presidente na Sapucaí.

Se as pesquisas estiverem corretas e traduzirem o sentimento do eleitor, o país vai às urnas contrariado. O ex-senador Jucá, que esteve em todos os governos, acha que seu partido, o MDB, deve ficar fora da eleição presidencial, sem precisar decidir se "vai matar o outro pela esquerda ou pela direita". O caminho, diz, é eleger uma grande bancada e discutir o futuro. Essa também parece ser a estratégia de Gilberto Kassab para o PSD. O partido poderá até ter candidato, mas mira chegar a 2030 com força legislativa. O processo de polarização pode, enfim, estar produzir um efeito secundário, a reorganização do centro.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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