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Bloco age entre apoio e oposição no governo Lula.

Lydia Medeiros

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29/8/2025 9:00

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Thales Ramalho (1923-2004), deputado pernambucano que ao lado de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves foi um dos artífices da redemocratização do país, considerava-se um político de centro. Explicava: "O centro é móvel. Ora está à esquerda, ora está à direita." O centro de Ramalho nada tinha a ver com o atual Centrão, mas o balé ideológico guarda semelhanças. Neste terceiro governo Lula, num ambiente político polarizado, o Centrão oscila entre o apoio ao Planalto e à oposição. Embaralha a articulações no Congresso e impõe derrotas e vitórias aos dois lados, como fez nos últimos dias.

O Centrão consegue impor seus interesses porque age unido e se faz imprescindível para governos que se elegem sem maioria parlamentar — e para oposições. Tudo depende da conveniência. O Partido Liberal, que abriga o clã Bolsonaro, contava com o Centrão para aprovar a emenda constitucional que "blindava" os parlamentares, criando dificuldades em série para que pudessem ser processados pelo STF. Não deu certo. O Centrão isolou o bolsonarismo.

Ao mesmo tempo, vem criando problema para o governo aprovar um de seus projetos mais importantes, o que isenta do Imposto de Renda salários de até R$ 5 mil. Além de querer aumentar essa faixa de isenção, e, logo, o custo da medida, resiste em aumentar a taxação dos mais ricos como forma de compensar o benefício fiscal, uma exigência legal. E não apresenta outros meios de fechar a conta. Piorar as contas do governo, hoje, é visto como bom negócio para o bloco, porque ajuda a reduzir as vantagens eleitorais de Lula.

Movimentação do Centrão define vitórias e derrotas no Parlamento.

Movimentação do Centrão define vitórias e derrotas no Parlamento.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Desde seu primeiro mandato, Lula governa lado a lado com os representantes do bloco — seu primeiro vice, José de Alencar, era do PL de Valdemar Costa Neto, bem antes de o partido ser entregue a Jair Bolsonaro. Na campanha de 2018, quando Fernando Haddad disputou pelo PT, quem tinha o apoio formal dos partidos do grupo era Geraldo Alckmin. Mas o Centrão sentiu o cheiro de vitória de Bolsonaro e abandou o então candidato do PSDB. Em 2022, o "Centrão raiz" — PL, PP e Republicanos — se uniu a Bolsonaro. O União Brasil (então Democratas) foi junto. Mal os resultados eleitorais saíram, porém, Lula abriu negociações para a entrada desses partidos no seu ministério.

Agora, o Centrão parece apostar contra o governo e deve se dedicar a apoiar adversários eleitorais de Lula. O União Brasil marcou reunião para decidir se vai entregar seus postos. O presidente do PP, Ciro Nogueira, afirma que é "constrangedor" ver o partido no governo. O comando do Republicanos ressalva que a presença de Sílvio Costa Filho no Ministério é da cota pessoal de Lula. Mas ninguém fala sobre o fim das "cotas" do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), e do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).

O movimento de saída de alguns ministros do governo ganhou tração depois da reunião ministerial em que o presidente cobrou fidelidade. Dias antes, num jantar em que foi festejada a federação União Brasil-PP, a União Progressista, o clima no Centrão já era de campanha de oposição. É cedo para saber quem será seu candidato presidencial em 2026. Uma coisa é certa: o Centrão estará no próximo governo, seja qual for.


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