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12/2/2016 | Atualizado às 14:57

Ou seja, deu ao inimigo toda a munição de que necessitava para, numa edição de domingo, trombetear triunfalmente que a terrorista Dilma pretendera sequestrar o santinho Delfim Netto!
Aí, enquanto Espinosa se lamuriava de haver sido ludibriado pela Folha e Dilma o qualificava de "fantasista", coube ao imbecil aqui desmontar e desmoralizar a reportagem do jornal da ditabranda, não só com três artigos contundentes (o mais significativo foi este aqui), mas também informando o honesto ombudsman de então que a ficha policial da Dilma que a Folha publicara era uma tosca falsificação que circulava na internet, o que o levou a escrever uma mea culpa.
Aliás, a opinião atual do Espinosa a meu respeito tem tudo a ver com eu não haver deixado de criticar sua "ingenuidade angelical" em tal episódio, por ter ajudado "a Folha a reconstituir esse insignificante episódio histórico (...), sem perceber que poderia ser superdimensionado e deturpado para servir como arma contra Dilma Rousseff";
4) Acusar-me de "traidor" é uma infâmia, agora que está cabalmente esclarecido que me atribuíram a culpa pelo maior desastre da VPR, embora fosse alguém de escalão hierárquico superior ao meu que fornecera à repressão a localização da escola de treinamento guerrilheiro em Registro; tal erro crasso da Organização tornou insustentável minha situação na prisão, tendo sofrido uma lesão permanente e quase morrido. Apelar para golpes baixos é patético no caso de quem tem sobrenome de filósofo;
5) Quando da luta interna e racha de 1969, Espinosa me qualificava de "militarista" e "radical". Mas diz que hoje eu estaria dando uma de esquerda radical. Parece que coerência não é o forte dele. Eu estava à esquerda do Espinosa há 46 anos e continuo à esquerda dele hoje. Trata-se de pura desonestidade querer embaralhar as coisas com intuitos difamatórios;
6) Quanto a pegar dinheiro da Anistia, é outra ignomínia do Espinosa se referir a isso. Porque não se trata de eu pegar algo, mas sim de, afinal, receber o que o ministro da Justiça me concedeu há uma eternidade (a portaria é de outubro de 2005): uma pensão vitalícia e uma indenização retroativa que deveria ser integralmente paga em 60 dias, de acordo com as regras do programa.
Ocorre que a União, exatamente por eu ser da esquerda radical e não lambe-botas do partido que está no poder, faz tudo para não acertar as contas do passado (o retroativo) comigo. Já perdeu por 8x0 o julgamento do mérito da questão e por 7x0 e 8x0 o julgamento de dois embargos de declaração flagrantemente protelatórios. Agora, depois de goleada três vezes no Superior Tribunal de Justiça, fez com que meu caso fosse despachado para o Supremo Tribunal Federal.
Ou seja, a mim faz amargar nove anos de enrolações, mandando às urtigas a equanimidade, já os que não são de esquerda radical receberam e recebem tratamento bem diferente.
Ao levantar a bola para eu marcar o ponto, desta vez o Espinosa pelo menos ajudou o mais fraco a tornar conhecida sua luta contra os abusos de poder do mais forte. Bem pior é quando ele levanta a bola para a Folha marcar uma enxurrada de pontos...
* Jornalista, escritor e ex-preso político. Edita o blogue Náufrago da Utopia.
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