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Congresso em Foco
13/9/2018 | Atualizado às 19:51
O Congresso em Foco procurou o Vox Populi, mas não conseguiu contato. Em entrevista à revista Carta Capital, o diretor do instituto, Marcos Coimbra, disse que não vê problema em associar o nome de Haddad a Lula. Segundo ele, não se trata de uma “indução”, mas de “fornecer o máximo de informação ao eleitor”.
“Esconder o fato de que o ex-prefeito foi indicado e tem o apoio do ex-presidente tornaria irreal o resultado de qualquer levantamento. É uma referência relevante para uma parcela significativa dos cidadãos. Chega perto de 40% a porção do eleitorado que afirma votar ou poder votar em um nome apoiado por Lula”, alegou Marcos Coimbra.
Metodologia
“A piada que contam é que a pesquisa não é do Vox Populi porque, se fosse, mostraria o Haddad ganhando a eleição no primeiro turno”, respondeu rindo o cientista político Paulo Kramer ao ser questionado sobre os números do instituto de pesquisas mineiro.
Para o professor da Universidade de Brasília (UnB), é fundamental observar a metodologia utilizada em cada levantamento. “Nas pesquisas qualitativas, o problema está na formulação da pergunta, ou seja, na forma como a conversa com um determinado grupo de pessoas é conduzida. Dependendo de como isso é feito, pode haver alguma indução, até involuntária. Nas pesquisas quantitativas, como é o caso, você pode ter problema em razão da formulação da pergunta e do desenho da amostra de entrevistados”, disse.
Kramer chama a atenção para outros aspectos que podem afetar o resultado de uma pesquisa eleitoral. “Se o Datafolha vestir todos os seus entrevistadores de mórmons, provavelmente ele vai ter como resultado um voto mais conservador. Alguns eleitores de esquerda darão um voto mais próprio de um eleitor de direita. Porque, por alguma razão de difícil compreensão, as pessoas, ao responderem entrevistas presenciais, sempre tendem a aproximar sua opinião da opinião que elas imaginam que o entrevistador tem”, afirmou.
O professor da UnB defende que se dê mais atenção às pesquisas realizadas por telefone, que têm ganhado espaço no Brasil. “Estudos realizados em vários países têm demonstrado que as pesquisas telefônicas, nas quais o respondente obviamente não vê o entrevistador, são mais eficientes para mostrar o ‘closet vote’, isto é, o voto de armário ou voto envergonhado”.
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