Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Eleições 2026

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosRadarEleições 2026
  1. Home >
  2. Notícias >
  3. De "traidor" a aliado: Moro vai para o PL após guerra com os Bolsonaro

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News

ELEIÇÕES 2026

De "traidor" a aliado: Moro vai para o PL após guerra com os Bolsonaro

Cinco anos após deixar o governo acusando Bolsonaro de tentar blindar familiares por meio da PF e ser chamado por Flávio de "mentiroso e traíra", Moro deve concorrer a governador pelo partido do ex-presidente.

Congresso em Foco

19/3/2026 | Atualizado às 11:07

A-A+
COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA

A aguardada filiação do senador Sergio Moro (União-PR) ao PL, prevista para os próximos dias, consolida uma aproximação que já vinha sendo reconstruída desde o segundo turno da eleição presidencial de 2022. Na quarta-feira, 18 de março, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apareceu ao lado do senador, declarou apoio à sua pré-candidatura ao governo do Paraná e recebeu de volta o gesto político: na legenda da publicação, Moro escreveu que apoia "o projeto de Flávio Bolsonaro à Presidência do Brasil". A movimentação dá ao PL um palanque competitivo no Estado e oferece a Moro uma estrutura partidária robusta para 2026, após dificuldades partidárias internas para se candidatar.

A costura, porém, não é trivial. Ela reúne personagens que passaram anos trocando acusações públicas. Moro deixou o Ministério da Justiça, no governo Bolsonaro, em abril de 2020, acusando o então presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro o chamaram de traidor e mentiroso. Valdemar Costa Neto, futuro chefe partidário de Moro, disse que o ex-juiz "ultrapassou os limites da lei" e que ele e o ex-deputado Deltan Dallagnol "vão pagar caro".

Flávio Bolsonaro e Sergio Moro declaram apoio mútuo em encontro na quarta-feira. Senador deve trocar o União Brasil pelo PL nos próximos dias para concorrer a governador do Paraná.

Flávio Bolsonaro e Sergio Moro declaram apoio mútuo em encontro na quarta-feira. Senador deve trocar o União Brasil pelo PL nos próximos dias para concorrer a governador do Paraná.Reprodução/Instagram

A política costuma redesenhar alianças que antes pareciam impossíveis. No caso de Moro e do PL, a conveniência eleitoral se impõe sobre um arquivo pesado, marcado por frases que, até pouco tempo atrás, pareciam incompatíveis com qualquer reconciliação.

A ruptura que marcou o bolsonarismo

O ponto de fratura foi 24 de abril de 2020. Ao pedir demissão do Ministério da Justiça, Moro afirmou que Bolsonaro queria na direção da Polícia Federal alguém para quem pudesse "ligar, colher informações, que pudesse colher relatórios de inteligência". No mesmo pronunciamento, classificou a troca no comando da corporação como "interferência política". A acusação foi o gesto mais grave de rompimento de um ex-ministro com Bolsonaro durante o mandato.

Dias depois, o ex-ministro aprofundou a acusação. No depoimento prestado à PF em 2 de maio de 2020, depois divulgado pela imprensa, relatou a pressão de Bolsonaro sobre a superintendência do Rio de Janeiro e atribuiu ao então presidente a frase: "Moro, você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro". A referência ao Rio deu lastro à leitura de que o interesse presidencial não era administrativo, mas político.

Em 23 de maio de 2020, já fora do governo, Moro foi mais explícito ao relacionar a crise à proteção da família Bolsonaro. Em rede social, escreveu: "Não cabe também ao Ministro da Justiça obstruir investigações da Justiça Estadual, ainda que envolvam supostos crimes dos filhos do presidente". Na mesma postagem, acrescentou: "As únicas buscas da Justiça Estadual que conheço deram-se sobre um filho e um amigo em dezembro de 2019 e não cabia a mim impedir". A referência era ao caso das rachadinhas que atingia Flávio Bolsonaro.

A partir dali, a divergência deixou de ser apenas institucional e se tornou pessoal. Bolsonaro reagiu em maio de 2020 chamando a versão de Moro de "mentira deslavada". Em março de 2022, quando o relatório da PF sobre o caso veio a público, voltou ao ataque em live: "Sergio Moro, além de traíra é mentiroso".

Em novembro de 2021, quando se apresentava como pré-candidato a presidente pelo Podemos, Moro fez alusão à principal acusação enfrentada por Flávio Bolsonaro em sua vida pública, a de que embolsa parte do salário de seus funcionários quando era deputado estadual. "Chega de rachadinha", discursou o então pré-candidato.

O clã entra na briga

Os filhos do ex-presidente também ajudaram a consolidar Moro como adversário político. Em 30 de novembro de 2021, no ato de filiação de Jair Bolsonaro ao PL, Flávio Bolsonaro atacou o ex-ministro sem citá-lo nominalmente, mas de forma inequívoca: "A política pode até perdoar traição, mas não perdoa o traidor". Em seguida, emendou: "Traidor é aquele que por ação ou omissão interfere na Polícia Federal". O discurso foi feito justamente no evento que marcou a entrada de Bolsonaro no partido que agora deve receber Moro.

Moro não costumava mirar nominalmente Flávio, Eduardo ou Carlos com a mesma frequência com que atacava Bolsonaro, mas também respondeu. Em janeiro de 2022, após novas investidas dos filhos do então presidente, escreveu: "Já julguei bandidos perigosos, inclusive traficantes internacionais. Se nunca tive medo de enfrentar criminosos, não serão ofensas ou ataques mentirosos que irão me assustar".

Reaproximação começou em 2022

Apesar do histórico, a reconciliação política não nasce agora. Ela começou no segundo turno de 2022. Em vídeo publicado em 28 de outubro daquele ano, Moro declarou apoio a Bolsonaro contra Lula e afirmou: "Coloquei de lado minhas divergências com Bolsonaro". O gesto marcou a reentrada do ex-juiz no campo bolsonarista e funcionou como ponto de partida da acomodação que agora desemboca na possível filiação ao PL. Moro foi responsável pela condenação de Lula. O presidente passou mais de 500 dias preso em Curitiba. As condenações, no entanto, foram anuladas posteriormente após o STF apontar irregularidades no curso do processo comandado pelo então juiz da Operação Lava Jato.

A novidade de março de 2026 é que a reaproximação deixou de ser episódica e passou a ter forma partidária. Ao apoiar Moro para o governo do Paraná, Flávio sinaliza que o senador virou peça estratégica para o projeto presidencial do PL. E, ao declarar apoio ao "projeto" de Flávio para o Planalto, Moro mostra que a aliança deixou de ser apenas defensiva ou circunstancial.

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por Sergio Moro (@sf_moro)

Valdemar: do ataque à mesa de negociação

A entrada de Moro no PL adiciona outro elemento desconfortável: sua relação com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto. Em janeiro de 2022, ainda como pré-candidato à Presidência, Moro afirmou em entrevista que "quem manda no Bolsonaro é Valdemar Costa Neto" e criticou o fato de haver "alguém que foi condenado criminalmente por receber suborno mandando no presidente da República". Era uma crítica frontal à influência do presidente do PL sobre o então chefe do Executivo.

Valdemar devolveu em tom igualmente duro. Em 5 de junho de 2023, em evento partidário em São José do Rio Preto (SP), disse que Moro e o ex-procurador e ex-deputado Deltan Dallagnol "ultrapassaram os limites da lei" e "vão pagar caro". Meses depois, manteve a ofensiva judicial do partido contra o senador.

"Vai acontecer mais ou menos no futuro o que está acontecendo hoje com o pessoal do Paraná. Eles tinham motivo para atacar o Lula? Eles têm que fazer a parte deles. Só que eles ultrapassam os limites da lei. Ultrapassaram. Vão pagar caro", declarou Valdemar, em alusão às acusações de que Moro e Dallagnol agiram em conluio e cometeram irregularidades no curso do processo que levou o petista à prisão.

O PL e o PT entraram com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a cassação do mandato de senador de Sergio Moro. Os dois partidos apontavam supostas irregularidades na campanha do ex-magistrado.

Em abril de 2024, ao justificar o recurso do PL contra a absolvição de Moro, Valdemar declarou à CNN: "Entrei com a ação para defender os interesses políticos do partido. Tem situações que preciso que entendam que tenho que defender nossos parceiros do PL".

A filiação de Moro ao PL foi acordada diante do veto do PP, que atuará como federação com o União Brasil neste ano, à sua candidatura a governador no Paraná. Com receio de ficar sem legenda para concorrer, Moro se aproximou do PL. A aliança interessa ao partido, que rompeu com o governador Ratinho Junior (PSD), pré-candidato à Presidência e eventual adversário de Flávio em outubro. Moro aparece à frente em todas as pesquisas de intenção de voto e abrigará o filho mais velho de Jair Bolsonaro em seu palanque.

O Congresso em Foco procurou as assessorias de Moro e Flávio para comentar sobre a aliança entre eles após desavenças públicas entre os dois. O senador paranaense informou que não se manifestará sobre o assunto. A reportagem aguarda retorno do gabinete do senador fluminense.


Relembre os embates de Moro com Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto


Sergio Moro, ao pedir demissão do Ministério da Justiça:

"[Bolsonaro quer uma pessoa para a qual] pudesse ligar, colher informações, que pudesse colher relatórios de inteligência."

pronunciamento de saída do governo, com acusação de ingerência política na PF para tentar blindar familiares e aliados, em 24 de abril de 2020


Sergio Moro, no mesmo discurso:

"Não tendo [justificativa] e percebendo essa interferência política é algo que não posso concordar."

na mesma data, em reação à exoneração de Maurício Valeixo da direção-geral da PF


Sergio Moro, em rede social:

"Não cabe também ao Ministro da Justiça obstruir investigações da Justiça Estadual, ainda que envolvam supostos crimes dos filhos do presidente."

resposta à divulgação do vídeo da reunião ministerial que causou sua demissão e às críticas de Bolsonaro, em 23 de maio de 2020


Sergio Moro, em discurso:

"Quando vi meu trabalho boicotado e quando foi quebrada a promessa de que o governo combateria a corrupção, sem proteger quem quer que seja, continuar como ministro seria apenas uma farsa."

em pronunciamento feito no ato de filiação ao Podemos, em 10 de novembro de 2021


Sergio Moro, em vídeo de apoio a Bolsonaro no 2º turno:

"Coloquei de lado minhas divergências com Bolsonaro."

início da reaproximação política após a ruptura de 2020, em 28 de outubro de 2022


Flávio Bolsonaro, em entrevista:

"Além de traidor, é mentiroso [...]. A imagem de Moro hoje perante a população é de um traidor que saiu atirando em quem lhe deu a oportunidade." reação às acusações feitas por Moro sobre a Polícia Federal e o entorno da família do então presidente, em 17 de dezembro de 2021


Flávio Bolsonaro, no ato de filiação de Jair Bolsonaro ao PL:

"A política pode até perdoar traição, mas não perdoa o traidor."

discurso em referência a Moro, já tratado pelo clã como ex-aliado infiel, em 30 de novembro de 2021


Flávio Bolsonaro, no mesmo evento:

"Traidor é aquele que por ação ou omissão interfere na Polícia Federal."

inversão da acusação feita por Moro em 2020, em 30 de novembro de 2021


Sergio Moro, em entrevista:

"Hoje um dos caras que mandam no governo é Valdemar Costa Neto, um cara que foi condenado por suborno no mensalão. Era um cara que estava com Lula.

crítica à influência do presidente do PL sobre o governo Bolsonaro, em 20 de janeiro de 2022


Valdemar Costa Neto, em evento do PL em São José do Rio Preto:

"Moro e Dallagnol ultrapassaram os limites da lei" e "vão pagar caro."

ataque ao legado da Lava Jato e ao senador, em 5 de junho de 2023


Valdemar Costa Neto, à CNN:

"Entrei com a ação para defender os interesses políticos do partido."

justificativa para o recurso do PL contra a absolvição de Moro, em 18 de abril de 2024


Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

Sérgio Moro flavio bolsonaro valdemar costa neto governadores pl Jair Bolsonaro eleições 2026

Temas

Eleições

LEIA MAIS

ELEIÇÕES

Lupi confirma apoio a Lula e anuncia nomes do PDT ao Senado e governos

Saúde

Bolsonaro tem "melhora importante", mas segue internado na UTI

Flávio diz ter encontrado Moraes para pedir domiciliar a Bolsonaro

NOTÍCIAS MAIS LIDAS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES