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ELEIÇÕES 2026
Congresso em Foco
11/3/2026 | Atualizado às 11:54
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), minimizou, em entrevista ao Congresso em Foco, o impacto das pesquisas de intenção de voto ao Planalto divulgadas no fim de semana e afirmou que ainda é cedo para tirar conclusões sobre a disputa presidencial de 2026. A reação ocorre após levantamento do Datafolha indicar o presidente Lula à frente de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno, mas com vantagem mais estreita, e em empate técnico com o senador em um eventual segundo turno.
Para Jaques Wagner, pesquisas feitas a meses da eleição precisam ser lidas com cautela. "Eu considero que pesquisas a essa distância do evento eleitoral não têm a significação que muitos querem dar", afirmou. Na avaliação do senador, o cenário já era esperado: uma disputa apertada, em um ambiente marcado pela polarização política no Brasil e no mundo.
Segundo o líder do governo, os brasileiros ainda não estão focados nas eleições. "A única forma de melhorar na pesquisa é entregar muito trabalho e dialogar muito com a sociedade", declarou.
O petista avalia que o desempenho de Flávio Bolsonaro decorre, em parte, do peso político do sobrenome e da ligação direta com o ex-presidente Jair Bolsonaro. "O lançamento do nome dele, por ele ser filho do ex-presidente, ele absorveu rapidamente", disse. Ainda assim, procurou afastar tanto o alarmismo quanto a euforia dentro do governo. "Não é hora nem de tristeza, nem de comemoração, porque daqui até lá tem muita pesquisa para sair", declarou.
O Datafolha mostrou Lula com 38% e Flávio Bolsonaro com 32% em um dos principais cenários de primeiro turno. Em outras simulações, o presidente aparece com 39%, enquanto o senador oscila entre 33% e 34%. No segundo turno, Lula tem 46%, contra 43% de Flávio — diferença que configura empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios entre 3 e 5 de março e foi registrado no TSE sob o número BR-03715/2026.
Jaques Wagner também associou o humor do eleitorado a fatores econômicos e a episódios com potencial de repercussão política. "Em tempos modernos qualquer evento novo pode empurrar para cima ou para baixo um candidato. Já se esperava, a eleição, na minha opinião, será sempre uma eleição disputada, o Brasil não está muito diferente do mundo, o mundo está muito polarizado, fanatizado", avaliou.
Segundo ele, crises internacionais, oscilações no preço do petróleo, pressões inflacionárias e até casos como o do Banco Master podem influenciar a percepção da população sobre o governo. Ao comentar o tema, porém, ele procurou desvincular o episódio diretamente do Planalto. "O Banco Master está muito mais ligado ao grupo do Centrão", ressaltou.
Na avaliação do senador, todos esses elementos interferem no ambiente político e ajudam a explicar oscilações captadas pelas pesquisas. "Tudo isso mexe com a cabeça das pessoas. As pessoas, no dia de hoje, estão preocupadas com emprego, salário, prosperidade. Não estão muito focadas em eleição", disse.
Ao comentar as reações do meio político a resultados desfavoráveis, Jaques ironizou a tendência de atribuir tudo à comunicação do governo. Para ele, a resposta mais efetiva não está no marketing, mas na entrega concreta de resultados. "A única forma de você melhorar na pesquisa é entregar muito o trabalho e dialogar muito com a sociedade", afirmou.
O líder do governo sustentou ainda que o governo encerrou 2025 em boa posição, especialmente na área econômica, mas ponderou que o cenário eleitoral está longe de se consolidar. "Tem muita água para passar debaixo da ponte", resumiu, ao reforçar que a corrida presidencial segue aberta e sujeita a mudanças.
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