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CPI do crime organizado

Fundador da Reag fica em silêncio na CPI do Crime Organizado

Amparado por habeas corpus de Flávio Dino, João Carlos Mansur optou por não responder aos questionamentos dos senadores nesta quarta-feira.

Congresso em Foco

11/3/2026 | Atualizado às 10:20

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O fundador da Reag Investimentos, João Carlos Falbo Mansur, permaneceu em silêncio durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado nesta quarta-feira (11), após orientação de sua defesa com base em decisão do STF. A garantia foi concedida pelo ministro Flávio Dino, que assegurou ao empresário o direito de não responder a perguntas que possam levar à autoincriminação.

Logo no início da sessão, o advogado de Mansur afirmou que o cliente optaria por não responder aos questionamentos apresentados pelos senadores. A defesa mencionou que o empresário figura como investigado em diferentes procedimentos e destacou que a decisão judicial assegura o exercício desse direito constitucional.

"Por esse motivo, pelo habeas corpus, que foi concedido pelo eminente ministro Flávio Dino, respeitando, pontuando mais uma vez o respeito que o senhor Mansur e que a defesa tem por esta comissão pelo Senado Federal, a defesa com a máxima vênia registra que ele vai usar o direito constitucional de não responder a indagações, mas evidentemente que está aqui presente para escutar as indagações."

Questionado pelo presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), sobre se o silêncio seria adotado apenas em perguntas potencialmente incriminatórias ou de forma geral, o advogado respondeu que a orientação seria pela não manifestação em toda a oitiva.

"Presidente, até para não ficar num debate, se ele responde e se ela não responde, ele vai usar o jeito de ficar em silêncio."

A postura do depoente foi criticada pelo relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que afirmou que a decisão judicial garantiria o direito ao silêncio apenas em situações específicas. Ao sugerir que a comissão comunique o ministro Flávio Dino sobre o episódio, o parlamentar avaliou que a interpretação adotada pela defesa extrapola os limites da decisão.

Durante sua fala, Vieira afirmou que o depoimento poderia contribuir para esclarecer o funcionamento de operações investigadas envolvendo o sistema financeiro. O senador destacou que a comissão busca compreender a atuação de empresas e agentes do mercado em transações sob investigação.

"Esse é um escândalo de proporções que, sem dúvida nenhuma, vão atingir e, depois, superar aqueles que verificamos em escândalos do passado, como o petrolão, o mensalão, os escândalos vinculados às operações estruturadas da Construtora Odebrecht, porque os volumes financeiros são assustadores, a infiltração pela corrupção no poder público é assustadora e o dano causado às pessoas."

A CPI do Crime Organizado investiga a atuação de organizações criminosas e possíveis conexões com operações financeiras de grande porte. Mansur e a Reag Investimentos são citados em apurações relacionadas ao caso do Banco Master, que envolve suspeitas de fraudes no sistema financeiro e movimentações consideradas atípicas por órgãos de investigação.

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Fabiano Contarato Reag CPI do crime organizado senado federal Alessandro Vieira

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