Publicidade
Publicidade
Receba notícias do Congresso em Foco:
ELEIÇÕES 2026
Congresso em Foco
4/2/2026 | Atualizado 2/3/2026 às 11:17
A decisão do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), de apoiar a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) para o Senado redesenhou o tabuleiro eleitoral no estado e isolou o senador Esperidião Amin (PP), que tenta a reeleição. Ao defender publicamente uma chapa "pura" do PL, com Caroline e Carlos Bolsonaro (PL), Jorginho confronta um acordo nacional costurado entre o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e o comando do PP, que previa apoio à candidatura de Amin.
A sinalização foi feita nesta terça-feira (3), em Brasília, durante evento da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado (FPLM), presidida por Caroline de Toni. No palco, Jorginho tratou a deputada como "senadora" e afirmou que ela será candidata "com o meu apoio", deixando claro que sua preferência é por duas vagas do Senado ocupadas exclusivamente por nomes do PL em Santa Catarina.
A deputada e o governador devem se reunir com Valdemar nesta quarta-feira (4) para tentar destravar a situação.
Isolamento de Esperidião Amin
Caso o desenho defendido pelo governador se confirme, Esperidião Amin fica fora da chapa, apesar de ser senador e contar com o respaldo de parte do Centrão catarinense. Amin é hoje o principal nome do PP no estado e tem sua reeleição incluída em um acordo nacional entre Valdemar e o presidente do partido, Ciro Nogueira (PI).
Esse acordo, porém, passa a ser pressionado pela posição de Jorginho, que controla o PL estadual e governa um dos principais colégios eleitorais do Sul do país. Na prática, o governador sinaliza que não pretende ceder espaço ao PP, mesmo diante do pacto firmado pela cúpula nacional.
O apoio de Jorginho a Caroline de Toni deve empurrar o PP e o União Brasil para a oposição. Os dois partidos, que atuam como federação, negociam o apoio à candidatura do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), ao governo do estado.
Deputada ameaça deixar o PL
A reação de Caroline de Toni evidencia a gravidade do impasse. Ela afirmou que pode deixar o PL caso não tenha o apoio formal da legenda para disputar o Senado. Segundo a deputada, Valdemar já teria informado que não há vaga disponível para Santa Catarina em razão do acordo com o PP.
"Tem uns seis partidos que me ofereceram vaga. Avante, Podemos, PRD, Novo, MDB e PSD", disse Caroline, indicando que a disputa pode evoluir para uma desfiliação caso o partido mantenha a negativa.
Carlos Bolsonaro e o embate com o Centrão
O apoio de Jorginho à deputada ocorre em um contexto de divisão entre o PL e o Centrão em Santa Catarina, iniciado ainda em 2025, quando o governador declarou apoio à pré-candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado pelo estado. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro transferiu seu domicílio eleitoral para Santa Catarina em outubro do ano passado, movimento que acirrou as disputas internas. Ele renunciou ao mandato de vereador no Rio e se mudou para o estado.
Até então, os nomes colocados para o Senado eram Caroline de Toni e Esperidião Amin. Com a entrada de Carlos e a defesa de uma chapa puro-sangue do PL, o senador do PP passou a ser o principal prejudicado.
Atualmente, Santa Catarina já tem uma cadeira no Senado ocupada por um nome do PL: Jorge Seif (PL-SC), eleito em 2022 e com mandato até 2030. Se a estratégia de Jorginho avançar, o partido pode sair da eleição com duas das três vagas do estado, consolidando hegemonia no campo da direita catarinense.
Tags
LEIA MAIS
AUMENTO PARA SERVIDORES
Relator da reforma administrativa critica brecha para supersalários