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3/8/2020 | Atualizado 10/10/2021 às 16:58

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[fotografo]Arquivo Nacional[/fotografo]

[fotografo]Arquivo Nacional[/fotografo]
Até recentemente pareciam distantes os tempos da ditadura, lá no final dos anos 1980, quando pessoas eram fichadas por órgãos de segurança como o Dops – Departamento de Ordem Política e Social ou o DOI-CODI - Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna. Esses órgãos faziam repressão aos opositores do governo militar inaugurado com o golpe de 1964. Mas, se ainda não existem instituições semelhantes funcionando, os métodos e as ações de diversos braços do atual governo agem exatamente da mesma forma. Só faltam os porões de tortura e os desaparecimentos políticos. Por enquanto. O plano de monitoramento de quase 600 servidores da área de segurança pública que se declaram opositores do governo por meio da Secretaria de Operações Integradas – Seopi – do Ministério da Justiça não é apenas grave – é de uma petulância estarrecedora. E desnuda sem disfarces os métodos de ação do atual governo, que lembram os momentos mais terríveis dos anos de chumbo. Não adianta nada o Ministério da Justiça explicar que se trata de ação de rotina destinada à produção de dados para abastecer os órgãos de inteligência. Tudo conversa. Diversas entidades, como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, condenaram o uso político-ideológico das informações. E seu emprego para intimidar e constranger servidores públicos das áreas de segurança “que se posicionam contra as incontáveis ações e declarações beligerantes e radicais do atual presidente da república”. Não existe qualquer explicação para o fato de um governo que se diz democrático monitorar e policiar a ação antifascista e de defesa da democracia. Ora, quem persegue os que defendem a democracia só podem ser classificados como antidemocráticos. E esse carimbo já vem sendo aplicado ao atual governo nos mais diversos níveis. > Deputados querem que ministro da Justiça explique dossiê contra antifascistas Basta lembrar as declarações autoritárias do próprio Bolsonaro, de seus auxiliares e de apoiadores. Já houve a fala de um filho admitindo que o governo poderia dar um golpe. Já houve a fala de um ministro dizendo que ninguém pode condenar alguém por defender o AI-5. Já houve e continuam a haver manifestações abertamente antidemocráticas e golpistas com faixas defendendo o fechamento do Congresso e do STF e a centralização do poder com Bolsonaro no comando. Bolsonaro que, lembre-se, já participou de várias dessas manifestações e até costuma discursar nelas. E em nenhum momento ouviu-se dele uma palavra qualquer de condenação ao radicalismo e às ameaças à democracia, pelo contrário. Até mesmo a fábrica de notícias falsas descoberta nos gabinetes dos filhos ou o tal “gabinete do ódio”, que funcionaria ali mesmo no Palácio do Planalto, nunca receberam dele qualquer tipo de admoestação. Como também nunca condenou o uso das fake news, com a ajuda das quais se elegeu. Pelo contrário. Vem se manifestando todo dia, com o argumento da defesa da liberdade de expressão, contrariamente aos esforços que o Congresso vem fazendo para enfrentar a praga cibernética mais importante e perigosa dos últimos anos. > Senadores querem convocar ministro da Justiça após rumor de desistência Bolsonaro vem atuando claramente em duas frentes com vistas à sua perpetuação no poder, objetivo que já se tornou uma obsessão. A primeira é a via autoritária. Basta ver o prodigioso aparelhamento por integrantes das três armas desde a assessoria direta no Palácio do Planalto até de ministérios que teoricamente deveriam atuar com absoluta neutralidade política, como é o caso da pasta da Saúde, hoje completamente dominada por oficiais de alta patente, muitos dos quais improvisados nos cargos por não terem a habilitação médica necessária para atuarem nos postos para os quais foram nomeados. A outra frente é, ainda, por meio das urnas de 2020. Não por outra razão, o presidente tem evitado as declarações explosivas na entrada do Palácio da Alvorada, comprou abertamente o apoio de partidos de centro-direita que compõem o Centrão e vem mantendo uma intensa agenda de visitas a regiões onde desenvolve ações puramente midiáticas, eleitoreiras e populistas. Só como exemplo, outro dia, no Piauí, fez questão de montar num cavalo e por na cabeça um chapéu de couro, gestos manjados de políticos em busca de identificação com usos e costumes nordestinos. O aparelhamento do Ministério da Justiça com a produção, por um de seus órgãos, de dossiês com nomes e endereços de pessoas nas redes sociais, que teriam sido repassados a órgãos políticos para fins de perseguição e/ou punição de caráter ideológico não é apenas um ato de extrema gravidade. É assustador. Os que viveram os tempos duros, os que foram presos, torturados e tiveram parentes e amigos desaparecidos para sempre sabem muito bem qual é o valor da democracia. Percebem com clareza onde podem dar os acenos ao fascismo. Se alguns patriotas dos próprios órgãos de segurança se organizam para combater qualquer arroubo antidemocrático é dever da cidadania desenvolver todos os esforços para protegê-los e evitar a todo custo que um braço do governo, mantido com recursos públicos, seja usado para persegui-los. > Leia mais textos do autor.
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ditadura Ministério da Justiça Jair Bolsonaro palácio do planalto Palácio da Alvarada Paulo José Cunha gabinete do ódio Secretaria de Operações Integradas - Seopi

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