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Não me transfere em Pix. Pode ser fake news

OPINIÃO: Imprensa tem protocolo para garantir a veracidade do que divulga. Com as plataformas digitais, princípio deveria ser o mesmo. Por Paulo José da Cunha

Paulo José Cunha

Paulo José Cunha

16/1/2025 7:42

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Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
A revogação das normas de fiscalização das transações em Pix é a prova de que fake news funcionam, mesmo tendo sido exaustivamente desmentidas. Até porque o objetivo não é que acreditem nelas. O que pretendem é plantar a semente da desconfiança, haja vista a redução de 10% em menos de um mês das transações em Pix. Sou professor de Jornalismo na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília. E uma das primeiras lições que ensinamos aos nossos alunos é a necessidade de checar cuidadosamente a veracidade de uma informação antes de levá-la à publicação. Por isso mesmo repórteres precisam ter fontes confiáveis, que nem precisam aparecer, mas podem confirmar ou desmentir uma informação. Outro dia tomei conhecimento de que a poderosa BBC de Londres mantém sua altíssima credibilidade por não divulgar nada que não tenha sido minuciosamente checado. Pode até levar furo e demorar a publicar mas, se publicou, pode confiar porque é verdade. Ou seja: a imprensa se pauta por um protocolo, para garantir a veracidade do que divulga. Com as plataformas digitais o princípio deveria ser o mesmo. Deveria. Até porque, se nos órgãos regulares de imprensa trabalham jornalistas profissionais, de quem se espera um mínimo de seriedade na atuação profissional, nas plataformas digitais a informação pode ser produzida e divulgada sem qualquer compromisso com sua veracidade. Qualquer um, basta ter um celular na mão, pode postar o que quiser e bem entender, sem qualquer compromisso de respeito à verdade ou à honra e integridade de pessoas ou instituições. Por isso, elas, muito mais do que a imprensa regular, têm a obrigação de checar a veracidade do que circula por seus canais. Por isso, chega a ser patética a tentativa de classificar como censura o programa de checagem de fake news suspensa pela Meta de Mark Zuckerberg e sua substituição por um sistema de “notas da comunidade”. Como se a audiência, o leitorado ou os telespectadores tivessem as mínimas condições de fazer, eles próprios, a checagem das informações que recebem. Plataformas digitais são, sim, órgãos de comunicação. E como tais, têm a responsabilidade de cuidar para que a informação que publicam seja verdadeira. Ora, se mesmo com a checagem que faziam antes e com a ajuda de agências particulares de checagem como Lupa, Aos Fatos, Estadão Verifica, Fato ou Fake etc., a quantidade de informação falsa circulando nas redes é monstruosa, imagine agora, sem que as plataformas assumam suas responsabilidades. Semana passada recebi de uma pessoa de minha família uma informação falsa. Chegou com a garantia de que havia sido checada pela CNN. E era a mais pura mentira. Ou seja: a sofisticação dos difusores de fake news chegou ao ponto de informarem maldosamente que a informação falsa havia sido... checada e confirmada. Os programas de checagem das plataformas digitais foram um marco revolucionário na luta contra a desinformação. É falacioso o argumento de que a própria comunidade teria condições de fazer essa checagem. É como se uma Rede Globo ou uma Folha de São Paulo publicassem alguma notícia e a audiência ou o leitorado que se virassem pra confirmá-la. Aqui entre nós: qual foi a última vez que você, leitor, consultou uma agência de checagem? Claro que por trás da ação de Zuckerberg e seus colegas trilionários existe o objetivo de sempre: dinheiro. O que querem é ganhar ainda mais na certeza de que o que move os algoritmos (os programas de computador que dão maior ou menor visibilidade a uma ou outra informação) são os engajamentos. E os engajamentos crescem na proporção em que circulam discursos que geram pânico e ódio. As plataformas que põem pra rodar esse tipo de informação são as que ganham mais anunciantes, pelo maior alcance que obtêm. O anúncio de Zuckerberg da suspensão do programa de checagem é a confissão de que está trocando abertamente o compromisso com a verdade pelo aumento dos bilhões em sua conta bancária. Portanto, é descabido o argumento de que a esquerda teria abandonado seu lema de “é proibido proibir”, que agora teria sido adotado pela direita. Pois quem se serve da difusão de discursos de ódio e de pânico cresce com eles é a extrema direita. “É proibido proibir” que a população seja exposta aos discursos de ódio. “É proibido proibir” o direito ao consumo de informação de qualidade. E é “proibido proibir” que governos como o do Brasil exijam das plataformas a checagem das informações que publicam. Mesmo com os programas de checagem em ação e com os desmentidos quase diários, um programa importante como o de verificação das transações acima de 5 mil reais em pix, que daria mais proteção à população, foi usado para a difusão de fake news que o puseram abaixo. E olha que o programa de checagem da Meta ainda está vigorando no Brasil. Sem checagem alguma pelas plataformas, como é que vão ficar as coisas?
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected]
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