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Representação feminina
8/3/2026 11:00
Há momentos em que a história nos coloca diante de uma escolha. E 2026 é, sem dúvida, um desses. No Dia Internacional da Mulher, somos chamados à celebração das conquistas, mas também à reflexão dos desafios que temos. Não podemos seguir transformando casos de violência contra as mulheres apenas em números. Temos que decidir mudar a lógica. A eleição que se aproxima não é sobre cadeiras e partidos: é sobre prioridades, sobre vidas e sobre o país que queremos construir para as futuras gerações.
É inegável que avançamos na conquista de direitos. Mas quando enfrentamos uma epidemia de feminicídios e outras formas de violência, tudo se torna urgente. Ano após ano, os indicadores que revelam o quanto ainda é difícil ser mulher no Brasil escancaram que o ritmo das políticas públicas não tem sido suficiente para acompanhar a escalada da brutalidade que banaliza vidas.
O Laboratório de Estudos sobre Feminicídios (Lesfem), da Universidade Estadual de Londrina, registrou aumento de 34% nos feminicídios consumados e tentados no Brasil em 2025, escancarando a incapacidade das políticas públicas em proteger mulheres na velocidade necessária. No Distrito Federal, o cenário é alarmante. Foram 28 feminicídios em 2025, seis a mais que no ano anterior. As tentativas de feminicídio saltaram de 54 para 92, um aumento de 70%. Não são números frios. São mulheres que não voltaram para casa. São famílias inteiras devastadas.
Não é coincidência que a violência aumente enquanto as mulheres seguem sendo minoria nos espaços de poder. Por isso, 2026 precisa ser o ano em que a sociedade brasileira diga que não tolerará mais que mulheres sejam vítimas de estupros, que sejam assediadas no transporte público, agredidas dentro de casa, humilhadas nas redes sociais ou assassinadas pelo fato de serem mulheres. É urgente promover uma mudança cultural em uma sociedade ainda marcada pelo sexismo e pela misoginia.
Precisamos de mais mulheres nos postos de representação e decisão. Uma mulher em posição de liderança inspira outras a ocuparem esses espaços. Quando mulheres participam das decisões, prioridades mudam, orçamentos ganham outro olhar e políticas públicas passam a refletir experiências historicamente ignoradas. Ter mais mulheres na política não é um capricho ideológico: é uma necessidade urgente.
Os avanços já conquistados mostram que nossa presença faz a diferença. A Lei do Stalking, de minha autoria, tipificou a perseguição reiterada como crime e ampliou os instrumentos de proteção às vítimas. Embora a legislação proteja todos igualmente, a maioria das vítimas são mulheres. A lei completa cinco anos com resultados concretos: cerca de 256 mil mulheres já recorreram a ela para quebrar um ciclo de violência antes de escalar para situações mais perigosas.
Da mesma forma, a lei que instituiu o monitoramento eletrônico de agressores, que só avançou graças à mobilização incansável e determinada das bancadas femininas do Senado e da Câmara. Está comprovado que quando mulheres se articulam, a pauta avança.
Somos 52% da população e ocupamos menos de 20% dos cargos eletivos. A conta não fecha. Na história do Senado, apenas 39 mulheres foram eleitas senadoras. Na Câmara Legislativa do Distrito Federal, em 36 anos, somente 24 deputadas distritais contra 168 deputados homens. Isso não reflete a capacidade feminina; reflete uma distorção histórica que precisa ser enfrentada com decisão política.
Nós, mulheres, não queremos mais direitos que os homens. Queremos equidade. Queremos segurança para sair de casa. Queremos respeito dentro das instituições. Queremos a garantia da vida.
A eleição de 2026 não será apenas uma disputa partidária. Será o momento da escolha sobre que tipo de sociedade queremos ser. Uma sociedade que naturaliza números crescentes de feminicídio? Ou uma sociedade que reage, amplia a presença feminina na política e acelera respostas concretas para proteger vidas?
Mais mulheres na política significa mais prioridades alinhadas à realidade das mulheres. Significam mais urgência, mais compromisso e mais coragem para enfrentar o que precisa ser enfrentado.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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