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Trabalho

Reação contra o fim da escala 6x1 não vai prosperar

Trabalhar seis dias para um dia de descanso eterniza modelo que ignora índices alarmantes da síndrome de Burnout e doenças mentais no país.

Paulo Guedes

Paulo Guedes

25/2/2026 11:00

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A redução da escala de trabalho 6x1 é a principal pauta do presidente Lula para o ano de 2026 e ganhou tração com a decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, em iniciar sua tramitação pelas comissões.

Esses movimentos políticos indicam que o tema tem maturidade para se tornar realidade em favor da grande quantidade de brasileiros que esperam sua vigência, mas deflagraram a reação que já se esperava por parte dos setores conservadores.

O jornal Folha de S.Paulo comparou alhos com bugalhos ao afirmar, em texto recente, que o brasileiro trabalha menos do que seria esperado sob quaisquer critérios que se avalie na comparação com outros países do mundo.

A pauta da redução da jornada tem apoio majoritário da população, o que não impede seus inimigos de lançar mão do velho e surrado argumento do histórico da nossa baixa produtividade frente a outros países do mundo para tirá-la de pauta.

Não levam em conta nossas eternas jabuticabas como a alta carga tributária, baixo investimento das empresas em modernização e a imensa teia burocrática que elevam o chamado "Custo Brasil".

Pelo lado patronal, começa agora uma campanha nacional que beira à chantagem. Repetem o já gasto discurso do fim do Brasil com o aumento dos custos dos produtos e serviços para os consumidores, maior informalidade da mão de obra e impacto nos salários. A ordem unida é jogar o assunto para depois das eleições e nunca mais.

Redução da jornada ganha força política e enfrenta resistência patronal, mas avança como pauta central de 2026.

Redução da jornada ganha força política e enfrenta resistência patronal, mas avança como pauta central de 2026.Freepik

Irreversível

Entretanto, o fim da escala de trabalho 6x1 é proposta que amadurece no tempo e contexto histórico propícios. Movimentos sociais como esse que reivindicam expedientes menos extenuantes acumulam, sob certas circunstâncias, a força necessária para mover engrenagens até então emperradas e, com isso, ganham o status de irreversível às pressões dos seus opositores.

A redução da jornada avança porque o mundo mudou e já não é mais aceitável que existam no país tipologias diversas de trabalhadores, separados entre os que possuem tempo para a família, lazer e o estudo, e aqueles que enfrentam ciclos repetitivos de exaustão permanente, sem espaço entre jornadas para recompor suas forças.

Momento oportuno

A paternidade da matéria será disputada por muitos atores, mas reafirmo meu total apoio ao projeto dos colegas Erika Hilton e Reginaldo Lopes, porque entendo que não é só a qualidade de vida que está em jogo, também é preciso evitar perdas salariais com a adoção da medida e a manutenção do objetivo final de fazer valer a jornada de 36 horas semanais.

A principal resistência à redução da jornada é o impacto na economia, argumento que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) minimiza ao demonstrar que a maioria absoluta dos setores conseguem assimilar a mudança, que tem impacto semelhante ao histórico do reajuste salário mínimo.

O governo do presidente Lula reúne as melhores credenciais para lidar com esse assunto. Temos sensibilidade para ouvir as preocupações de micro e pequenos empresários sobre os custos de adaptação e oferecer mecanismos de transição e incentivos para que os pequenos negócios — os que mais geram emprego no Brasil — não sejam sobrecarregados.

Não é só economia

Importante ressaltar que jornadas de trabalho menores e o consequente fim da escala 6x1 não são apenas pautas econômicas, é preciso colocar nessa conta questões como a isonomia e questões de saúde pública.

Os avanços tecnológicos e saltos de produtividade precisam se traduzir em tempo de vida para quem carrega este país nas costas. O mundo mudou e as legislações precisam acompanhar o ritmo do tempo.

Manter a realidade em que um trabalhador labore seis dias e descanse apenas um é eternizar modelo de exploração que ignora os índices alarmantes de síndrome de Burnout e doenças mentais.

Jornadas exaustivas não resultam em produtividade, que está mais associada à capacitação, eficiência e bem-estar do trabalhador. Países desenvolvidos já provaram que jornadas menores geram economias mais dinâmicas e trabalhadores mais engajados.

Temos história

Nossa defesa pela redução da jornada de trabalho não é fato isolado. É parte do projeto de país que retomamos com o presidente Lula e seu histórico inquestionável de enfrentar pautas que devolvem a dignidade a quem trabalha. A política de valorização do salário mínimo é parte dessa agenda, com a garantia do aumento real anual acima da inflação e recuperação do poder de compra.

O PT também fez história ao aprovar a lei que exige que mulheres e homens recebam o mesmo salário em funções similares e a formalização dos direitos dos trabalhadores domésticos. Mais recentemente, o presidente Lula consolidou nossa luta em favor dos trabalhadores ao instituir a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.

A escala 6x1 é o próximo entulho que nosso governo vai mandar para a lata de lixo da história. Estamos prontos para liderar a transição para uma jornada mais justa porque a história do nosso partido se confunde com as causas de interesse do trabalhador brasileiro.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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