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Soberania continental
6/1/2026 9:00
Chamamos a atenção da sociedade brasileira e dos povos das Américas para as inaceitáveis investidas do governo autoritário de Donald Trump contra a Venezuela.
Investindo-se de poderes que não têm, nos últimos meses autoridades estadunidenses atacaram barcos e mataram mais de 90 pessoas; bloquearam e confiscaram petroleiros; anunciaram planos de captura do presidente venezuelano; deslocaram navios de guerra e aviões de caça para a zona de fronteira; fizeram incursões aéreas e autorizaram operações da CIA dentro do território da Venezuela; lançaram acusações estapafúrdias, como a ridícula tentativa de atribuir aos EUA a propriedade do petróleo da nação com as maiores reservas do produto no mundo; ao mesmo tempo em que não param de sinalizar o desejo de derrubar pela força o regime político daquele país.
São atos ilegais, sem amparo no Direito Internacional, que atentam contra o princípio da autodeterminação dos povos e colocam em risco todo o continente americano.
Trata-se não de defender o governo de Nicolás Maduro, em relação ao qual membros desta Rede Pela Soberania fazem sérias ressalvas. Mas, sim, de se opor a um grave precedente: aceitar que uma nação imponha sua vontade sobre outras em razão da sua superioridade militar e econômica.
Está claro que a Venezuela é um laboratório para testes da nova estratégia de segurança dos EUA, oficialmente lançada no último dia 4 de dezembro.
Baseada no pressuposto de que os interesses dos Estados Unidos devem se sobrepor aos de todos os demais países, ela elege a América Latina e o Caribe como área de influência estadunidense. É uma versão piorada da doutrina Monroe, a mesma que tomou as nações do continente americano como quintal dos EUA e serviu de base para a deflagração de golpes de Estado e o apoio a ditaduras sanguinárias.
De acordo com essa estratégia e seu "corolário Trump", os países caribenhos e latino-americanos ficam sujeitos a retaliações e a intervenções militares se não renunciarem aos seus interesses comerciais em prol dos Estados Unidos. Assim, parcerias comerciais vantajosas com a China, por exemplo, passam a ser vistas como gestos de hostilidade, capazes de justificar intervenções.
O que se pretende é substituir o império das leis e das regras acordadas por meio de instituições internacionais pela vontade imperial de um presidente de discutíveis qualidades morais e intelectuais; a cooperação e a harmonia entre as nações pela força bélica; a diplomacia pela violência; a soberania nacional pelo gangsterismo.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].