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Não há desculpa para a decisão da oposição no Senado. Se a proposta bolsonarista foi eleitoreira, apoiá-la igualmente foi eleitoreira.

Paulo José Cunha

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11/7/2022 | Atualizado às 8:28

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Três partidos entraram com ação no STF pedindo a mudança no critério de distribuição de sobras eleitorais. Se aceitas, PL perde dois deputados.  Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

Três partidos entraram com ação no STF pedindo a mudança no critério de distribuição de sobras eleitorais. Se aceitas, PL perde dois deputados. Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

A decisão dos partidos de oposição de apoiar medidas descaradamente eleitoreiras propostas pelo governo Bolsonaro, sobretudo a “PEC kamikaze”, que permite gastos extraordinários em período eleitoral, a par da perplexidade que causou, exige reflexão ponderada sobre a dificuldade para a tomada de decisões impopulares, sobretudo às vésperas de uma eleição. Sim, porque é preciso fortalecer o lombo para as críticas, porque elas virão. Mas fazem parte do jogo. A compensação á saber que se fez a coisa certa no momento certo. E aguentar o tranco. Um exemplo que me ocorre neste momento: lá em 1988, causou estranheza o fato de o PT não ter assinado a nova Constituição, falha pela qual se desculpa até hoje.

Ao longo de mais de meio século de cobertura política aprendi que existem momentos cruciais que revelam a diferença entre o homem público do homem que se serve do público em benefício pessoal. O homem público mira o futuro do seu povo, de olho no seu bem-estar; o homem que se serve do público mira o povo de olho na próxima eleição.

Não há desculpa para a decisão adotada pela oposição no Senado. Se a proposta bolsonarista foi eleitoreira, a decisão de apoiá-la igualmente foi eleitoreira. A oposição igualou-se aos algozes do povo. Perdeu o discurso da ética, que proíbe a adoção de qualquer gasto que redunde em benefício eleitoral para seu executor. Justamente por isso, apresentadores de televisão precisam se afastar de suas emissoras para participar da corrida eleitoral; ocupantes de cargos na administração pública precisam se afastar deles para concorrer; juízes precisam se despir da toga para disputar eleições (ainda na semana passada o Ministro Gilmar Mendes decidiu que membros do Ministério Público estão proibidos de concorrer numa eleição, a menos que renunciem aos cargos). E assim por diante.

O medo da impopularidade está na base da maioria das decisões equivocadas tomadas por políticos de todos os naipes e colorações ideológicas ao longo da história. A prova cabal desse medo ficou evidente no resultado da votação da “PEC kamikaze”, quando apenas um senador votou contra: José Serra. Claro que não votou contra por convicção ideológica, mas porque não concorrerá à reeleição. Os demais, à direita, à esquerda e ao centro curvaram-se ao medo da impopularidade e colocaram suas digitais numa medida que tem, sim, a virtude de ajudar os mais necessitados. Mas, sobretudo e principalmente, tem por objetivo reduzir a diferença entre Bolsonaro e Lula nas pesquisas de intenções de votos, que até aqui têm sido francamente favoráveis ao petista.

Esta semana, a Câmara vai enfrentar o mesmo tema, em votação marcada para terça-feira. Aposto um picolé de chocolate como o resultado do Senado se reproduzirá na Câmara. O velho ditado que diz “Mateus, primeiro os teus” vai se repetir. E a oposição vai cometer exata e precisamente o mesmo crime eleitoral de Bolsonaro, se apoiar a medida – repita-se: por mais “caridosa” que possa parecer – vai se igualar no delito e perder integralmente o discurso que faz a oposição ser oposição. Detalhe: com a aprovação de tais medidas, a conta gerada por elas vai ser paga pelos futuros ocupantes das cadeiras do Executivo, de Presidente a governador(a).

Na situação atual, cabe à oposição apontar e aprovar as medidas que possam amenizar o sofrimento dos mais necessitados, apontando os responsáveis pela situação de penúria em que foram colocados pela ausência de políticas públicas consistentes e perenes. E não se igualar a eles no descaso. Oposição existe para cobrar do(s) governo(s) o que precisa ser feito para o bem do povo, e não para o bem do próprio governo. Onde estão os projetos de longo prazo para criação e manutenção dos empregos? Onde foram parar as iniciativas para elevar o nível de renda, principalmente dos mais atingidos pelos impactos da disparada da inflação, que mais sofrem com a elevação do custo de vida? Cadê os investimentos em obras essenciais para a criação de mais ocupações? Onde estão as medidas de redução dos lucros dos rentistas multimilionários? Cadê as políticas de diminuição dos supersalários?

A continuar na toada que a oposição entoou na votação da “PEC kamikaze” no Senado, o que fica valendo é a sabedoria da frase criada pelo inesquecível Stanislaw Ponte Preta: “Ou restaure-se a moralidade ou nos locupletemos todos”.   O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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