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Segurança energética
13/3/2026 17:00
A escalada dos conflitos geopolíticos intensifica a expressão mais violenta do jogo de poder, em regiões de grande relevância energética. A guerra no Oriente Médio mostra que a segurança energética não é um debate apenas técnico, mas uma questão estratégica para as economias nacionais. Em um mercado globalizado, a instabilidade geopolítica e as guerras influenciam rapidamente na inflação energética do mundo. E, no caso brasileiro, a crescente tensão nos preços dos combustíveis motivada em parte por um histórico de políticas internas de transição energética – implantadas à força, sem racionalidade econômica e associadas à atual escalada das guerras – expõe os consumidores a preços dos combustíveis cada vez mais altos.
O efeito já aparece nas bombas dos postos revendedores, com altas em diversas regiões do país decorrente de tensão na oferta e reequilíbrio de preços, com o barril de petróleo superando os 100 dólares. O aumento das cotações internacionais do petróleo e o risco logístico do comércio marítimo internacional pressionam o preço da gasolina e do diesel, encarecem o transporte e impactam toda a cadeia produtiva. O resultado é conhecido: aumento do custo e pressão sobre os produtos agrícolas, com potencial de elevação no preço dos alimentos e, consequentemente, maior impacto inflacionário. Em economias dependentes de transporte rodoviário e juros estratosféricos, como a do Brasil, combustíveis mais caros rapidamente se traduzem em aumento generalizado de preços.
Convém esclarecer que o abalo gerado pelos conflitos no Oriente Médio vai muito além da produção de petróleo. O problema central está na logística global do comércio. Ataques ou tensões militares elevam o custo do frete marítimo, encarecem o seguro dos navios e redirecionam rotas comerciais, gerando um efeito dominó no mercado internacional que pressionam os preços de produtos essenciais como energia e alimentos.
O Brasil não está imune a esse cenário. Apesar de ser um grande produtor de petróleo e alimentos, o país está integrado às cadeias globais desses produtos essenciais ao desenvolvimento da vida humana. O preço desses produtos, em grande parte commodities, é definido nos mercados financeiros da Europa e dos EUA, com repercussão direta no mercado interno. Essa característica econômica estrutural é especialmente sensível quando estudamos a dinâmica comercial e de logística do segmento de distribuição de combustíveis no Brasil.
O setor já opera sob uma combinação complexa de custos regulatórios, encargos logísticos e obrigações relacionadas à agenda de transição energética. Programas ambientais, metas de descarbonização e instrumentos regulatórios voltados à sustentabilidade são importantes para o futuro do sistema energético, mas também geram custos adicionais que precisam ser absorvidos pela cadeia de abastecimento e acabam repercutindo na ponta do consumo de combustíveis.
Quando esses custos estruturais se somam a choques externos, como guerras ou crises logísticas, a margem de adaptação do setor se reduz. O resultado é um ambiente mais pressionado para distribuidores e refinadores, que passam a lidar simultaneamente com volatilidade internacional, custos regulatórios crescentes e exigências de investimentos para atender às metas da transição energética.
Um exemplo categórico é o conjunto de obrigatoriedades abusivas impostas aos distribuidores de combustíveis pelo programa federal RenovaBio, que ainda não demonstrou a eficiência ambiental prometida desde sua criação, há mais de sete anos, no que tange à redução da intensidade de carbono na matriz de transporte nacional.
O desafio, portanto, não é apenas administrar grandes oscilações no preço internacional do petróleo. Trata-se de construir uma estratégia comercial que além de contribuir com a segurança energética, também permita ao país reduzir sua exposição a choques externos. Isso envolve fortalecer toda a infraestrutura de refino e distribuição, deste a produção, armazenamento, transporte, até ampliar a integração da cadeia produtiva, de forma a assegurar condições regulatórias equilibradas ao menor custo possível para todos os agentes econômicos e por conseguinte para os consumidores.
A transição energética é um caminho necessário, mas ela precisa ser conduzida com racionalidade econômica, planejamento estrutural e interesse público. Segurança energética, competitividade industrial e sustentabilidade ambiental não são objetivos contraditórios. Pelo contrário: são dimensões complementares de uma política energética moderna, de longo prazo, inteligente e comprometida com o desenvolvimento nacional.
Conflitos internacionais continuarão a fazer parte da dinâmica geopolítica global. O que diferencia as economias resilientes é sua capacidade de absorver esses choques sem transferir integralmente seus efeitos para sua cadeia produtiva e em última instância para o consumidor final. No caso brasileiro, avançar na agenda de segurança energética significa garantir que crises distantes não se transformem automaticamente em inflação doméstica e perda de competitividade econômica.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].